CRIAMOS MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA MUDAR O COMPORTAMENTO PELA “FORÇA DE VONTADE”? QUANTO CUSTA ESTA OPERAÇÃO?

No dia a dia gastamos um monte de energia tomando decisões sobre coisas que conscientemente achamos boas e necessárias, mas que vão de encontro ao que efetivamente temos vontade de fazer: sorrir quando o chefe sem noção conta uma piadinha sem graça; não “partir a cara” daquele vizinho que, todo dia, coloca som alto às cinco da manhã; não alavancar acima do seu patrimônio pessoal só porque o mercado explodiu e você enriqueceria se a tendência continuasse… Bem, a lista é enorme! Mas quando dizem por aí para se ter mais força de vontade, de fato, se constitui em elemento motivacional suficiente para atingirmos nossos objetivos ou é só um termo dentro daquelas frases motivacionais que, na real, não ajudam tanto assim na prática?

Para os pesquisadores, força de vontade e autocontrole são a mesma coisa, e o resultado experimental vem demonstrando que força de vontade é um recurso limitado, mesmo quando estamos com muita motivação para, por exemplo, começar uma dieta na segunda feira a fim de perder os quilinhos extras do verão.

A ideia por trás dessa teoria é que a força de vontade é como um músculo: pode ser fortalecido e fatigado.  Logo, se você usar sua energia disponível para se autocontrolar demais terá menos autocontrole para enfrentar novas tarefas que requeiram – essas sim – força de vontade. 

O termo usado é Esgotamento do Ego e foi dado pelo psicólogo social Roy Baumeister, em 1998.  Em resumo, o trabalho mostrou que quando usamos a nossa força de vontade disponível em uma tarefa qualquer contrária ao nosso querer não racional (ou, na prática, comer um rabanete ao invés de um chocolate!), o resultado de tamanho esforço é que não se conseguirá manter o mesmo nível de autocontrole em tarefas subsequentes, muitas vezes não relacionadas entre si – como continuar a montar um quebra-cabeça de dificuldade alta. Outro estudo, na mesma linha, demonstrou que as pessoas que voluntariamente faziam um discurso contendo crenças contrárias às suas também não conseguiam persistir neste tipo de desafio, como um quebra-cabeça.

Voluntários expostos a várias cenas de animais em agonia tinham de controlar o comportamento de chorar ou se indignar; os membros desse grupo em que o autocontrole foi demandado não conseguiam fazer um teste de esforço manual com o mesmo nível de desempenho daqueles que não tiveram que fazer qualquer autocontrole.

A força de vontade consciente requer uma quantidade enorme de energia, quando comparada com o que fazemos sem necessidade de esforço consciente. Nosso cérebro é uma máquina com design feito para automatizar a maior parte do que fazemos durante o dia, desde o momento em que acordamos e escovamos os dentes.

Quando fazemos as coisas de modo automático gastamos pouquíssima energia e esforço. Por isso, o desafio é convencer o cérebro e deixar que ele automatize o processo, e podemos treinar à convence-lo ao invés de impor uma vontade pela força bruta, ou se preferir outro termo: pela força da vontade.